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  • Norman Arruda Filho

A educação de líderes para conquista do desenvolvimento sustentável

Do descuido das ações sociais, da falta de responsabilidade do mercado financeiro, mas, principalmente, da falta de princípios é que assolou a crise mundial, no ano de 2008. Após esse marco, executivos de todo o mundo passaram a se preocupar mais com a gestão de riscos e com a transparência em suas ações. Após os colapsos financeiros, percebeu-se que o sucesso empresarial está relacionado ao equilíbrio das questões de governança com princípios éticos.


As organizações devem buscar o lucro e resultados, devem ter competitividade, gerar renda, emprego, estabilidade, isso move a sociedade e a mantem, mas a ascensão de uma empresa está relacionada não só à sua capacidade de gerar receita, mas também na capacidade de implantar um processo de governança que leve em conta uma estrutura mais ética. O próprio pai da administração moderna, Peter Drucker, considera não apenas os aspectos econômicos da empresa, mas leva em consideração seu papel social. “As organizações não vivem para si próprias, mas são meios, são órgãos da sociedade que visam uma tarefa social”.


Enquanto houver a busca pelo bem imediato e próprio nas empresas o desenvolvimento do setor privado será limitado. Não existe o sucesso de uma organização com a crença só no bem individual, pelo contrário, é a busca exclusiva pelo bem pessoal que leva à corrupção.

A corrupção não acontece somente nas atividades da gestão pública, está presente em nosso cotidiano. Fazer uso de recursos e políticas indevidas compromete o conjunto de gestão sustentável de todos os setores sociais. Nos últimos anos, movimentos relacionados ao combate da corrupção têm surgido no suporte ao controle da negligência do setor privado, sendo uma via forte de responsabilidade social corporativa. O Pacto Global, da ONU, em um dos seus princípios universais ressalta que as empresas devem combater a corrupção dentro de suas organizações.


É imprescindível que o setor privado reconheça o seu poder no controle da corrupção e que, ainda mais, os líderes empresariais sejam protagonistas, garantindo as boas práticas, baseando-se na ética e governança responsável. Só a união do setor direcionará a transformação desse quadro. Cabe às organizações, por sua força, partirem para a autogestão de controle da corrupção.


Porém, colocar esses conceitos em prática é ainda um desafio. O Relatório Global de Sustentabilidade Empresarial 2013, divulgado pelo Pacto Global, apontou que apesar das empresas terem definido políticas na área de responsabilidade social, grande parte falhou nas suas aplicações. O relatório pesquisou cerca de duas mil empresas em 113 países e contatou que 65% desenvolvem políticas de sustentabilidade a partir do alto escalão, mas apenas 35% dos gerentes recebem treinamento para integrar a responsabilidade social nas operações do negócio.


Para reverter esse quadro, entidades empresariais e os próprios empresários precisam levantar a bandeira da ética nos negócios e fomentar agendas de discussões sobre o assunto de maneira transparente. A implantação de práticas sustentáveis não deve ser apenas estratégia de marketing, deve fazer parte do DNA da Instituição. Isso só é possível por meio de líderes conscientes e responsáveis. Líderes confiantes, com valores e aptos a serem agentes e fazerem a diferença nesse cenário para transformação e influência de outros setores. E nesse ponto a educação executiva é a via para a inovação e para a disseminação do conhecimento com foco em valores.


Nesse sentido, é preciso rever o método que vem sendo utilizado para formar nossos futuros líderes. Precisamos estar atentos e disseminar cada vez mais práticas sustentáveis. No ISAE, conveniado da FGV em Curitiba, há mais de 10 anos o programa “Perspectivação” foi introduzido ao currículo dos executivos como um modelo educacional fora das métricas clássicas de formação. Como ele, formamos líderes responsáveis e atentos à prática de valores, por meio de vivências, dispostos a promover a autoformação, a liberação de paradigmas antiéticos e a recuperação do respeito mútuo. Dessa maneira, passam a ser agentes transformadores do seu próprio entorno.


Mais do que ensino, nossos estudantes precisam de inspiração para aprender e, assim, alcançar o que a Unesco chama de 5.° Pilar da Aprendizagem: “Aprender a se transformar e a transformar a sociedade”.


Norman de Paula Arruda Filho – Presidente do ISAE/FGV, membro do Comitê Brasileiro do Pacto Global e presidente do PRME (Princípios para Educação Empresarial Responsável da ONU) Chapter Brazil.

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