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  • Norman Arruda Filho

Cinco Anos do Acordo de Paris e a desgovernança do Clima

Por Norman Arruda Filho

English Version

Nesta semana, antes do quinto aniversário do Acordo de Paris, que ocorrerá no sábado, dia 12 de dezembro, o Pacto Global das Nações Unidas (ONU) uniu-se aos Programas da ONU para o Ambiente e para as Alterações Climáticas, além dos dirigentes da COP 25 e COP 26, juntamente com líderes de empresas e finanças da sociedade civil na oitava reunião anual do High Level Meeting of Caring for Climate para uma conversa sobre formas de impulsionar coletivamente a ação climática.


O que eu observei no encontro foram os representantes de iniciativas como a “Race to Zero” e “Business Ambition for 1.5°C” fazerem um balanço de seus progressos desde o Acordo de Paris e discutirem estratégias para uma recuperação sustentável com o objetivo de enfrentar as crises causadas pela pandemia do COVID-19 e as alterações climáticas. Escutei com atenção o discurso do secretário geral da ONU, António Guterres, com sua fala sobre a urgência de ações, pois as políticas climáticas não estão à altura das metas, e sobre a imprescindível necessidade dos países signatários encontrarem soluções inovadoras pós-pandemia como empregos sustentáveis e a redução da emissão de carbono.


A cada encontro, em cada discurso, confirmo e reafirmo minha convicção da grande importância das instituições de ensino na formação de líderes para o futuro. Instituições comprometidas com a agenda global que irão desenvolver em seus alunos a criticidade para a tomada de decisão dentro das organizações em prol de resultados que irão impactar o futuro de todos. Hoje, a ONU conta com o The Principles for Responsible Management Education (Os Princípios para uma Educação Executiva Responsável), o PRME, que possui mais de 800 escolas de negócios e instituições de ensino signatárias ao redor do mundo.


A reunião que ocorreu teve o objetivo de ser um “aquecimento” para a cúpula virtual “Climate Ambition Summit”, co-convocada pelas Nações Unidas, Reino Unido e França, em parceria com o Chile e a Itália, que ocorrerá no dia 12, data do aniversário do Acordo de Paris (compromisso mundial sobre as alterações climáticas que prevê metas para a redução da emissão de gases do efeito estufa). Será neste encontro que os governos nacionais deverão anunciar novos compromissos ambiciosos nas metas já estipuladas no Acordo.


Nos últimos cinco anos, o avanço dos países para solucionar o desafio climático ocorreu na contramão do aumento dos desastres relacionados às mudanças climáticas como ondas de calor, secas, incêndios florestais, inundações, etc. Porém, o Acordo de Paris teve sua importância para limitar os danos do aumento da temperatura média global. A Cúpula que será realizada no sábado soa animadora com novos compromissos de neutralização de carbono anunciados por Coreia do Sul, Japão, União Europeia e pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, para 2050 e para 2060 pela China e pelo Brasil.



Enquanto a sobrevivência do mundo está em jogo, o que se espera da Cúpula é que os alertas realizados incessantemente pela ciência não sejam mais ignorados; que a sinergia entre a Academia, o setor público e o privado criem vínculos cada vez mais produtivos em prol da agenda global; que os signatários do Acordo de Paris apresentem seus compromissos não apenas revistos, mas que sejam viáveis política e economicamente e que esses compromissos tenham rápida aplicabilidade e retorno. Ainda temos tempo, mas ele se esgota a cada indecisão ou, pior, a cada decisão equivocada dos líderes mundiais.


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Five Years of the Paris Agreement and climate “non-governance”


Ahead of the fifth anniversary of the Paris Agreement, the United Nations Global Compact (UNGC) joined the UN Environment and Climate Change Programmes, and the leaders of COP 25 and COP 26, along with business representatives and civil society at the Eighth Annual meeting of the High Level Meeting of Caring for Climate for a conversation on ways to collectively boost climate action. The Paris Agreement is a global commitment on climate change that provides for targets for reducing greenhouse gas emissions.


What I observed at the meeting were that representatives of initiatives such as "Race to Zero" and "Business Ambition for 1.5°C" took stock of their progress since the Paris Agreement and discussed strategies for sustainable recovery with the aim of addressing crises caused by the COVID-19 pandemic and climate change. I listened carefully to the speech of the UN Secretary General, António Guterres, with urged for actions, because climate policies are not up to the targets, and discussed about the essential need for signatory countries to find innovative post-pandemic solutions such as sustainable jobs and reducing carbon emissions.


Each presentation served to confirm and reaffirm my conviction of the great importance of educational institutions in the formation of leaders for the future. Institutions committed to the global agenda that will develop in their students the criticality for decision-making within organizations in favor of results that will impact the future of all. Today, the UN has The Principles for Responsible Management Education - PRME, which has more than 800 business schools and signatory educational institutions around the world.


The meeting was intended to be a "warm-up" for the virtual "Climate Ambition Summit", co-convened by the United Nations, the United Kingdom and France, in partnership with Chile and Italy, which will take place on December 12th, the anniversary of the Paris Agreement. At this meeting national governments should announce ambitious new commitments to the targets already stipulated in the Agreement.


In the last five years, countries' progress in solving the climate challenge has occurred in face of increased disasters related to climate change such as heat waves, droughts, forest fires, floods, etc. However, the Paris Agreement was important to limit the damage of the increase in global average temperature. The Summit to be held on Saturday is encouraging with new carbon neutralization commitments announced by South Korea, Japan, the European Union, and U.S. President-elect Joe Biden for 2050 and 2060 by China and Brazil.



While the survival of the world is at stake, what is expected of the Summit is that the warnings made incessantly by science are no longer ignored; whereas the synergy between academia, the public and private sectors create increasingly productive links for the global agenda; that the signatories of the Paris Agreement present their commitments not only revised, but that they are viable both politically and economically and that these commitments have rapid applicability and return. We still have time, but it runs out of every indecision or, worse, every misguided decision of world leaders.


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