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  • Norman Arruda Filho

Metodologia das aulas de Sustentabilidade nas Organizações do Mestrado Profissional em Govertitled

A partir dos estudos de Edgar Morin, Paulo Freire e Jacques Delors sobre transdisciplinaridade na educação, a metodologia desenvolvida nas aulas de Sustentabilidade nas Organizações do Mestrado Profissional em Governança e Sustentabilidade do ISAE foge do tradicionalismo acadêmico e trabalha o aprendizado com foco em soluções para o mercado.


O objetivo geral da disciplina é mostrar que a sustentabilidade é resultado da colaboração de diversos setores da sociedade, por isso explora o colaborativo, a construção em grupo, o compartilhamento de experiências e a aplicabilidade de ideias. Durante as atividades da disciplina, os alunos são chamados a entender a sustentabilidade como parte do processo de gestão de uma empresa e que, portanto, deve ser trabalhada de forma transversal fomentando o envolvimento de toda a organização e, consequentemente, tornando-se um valor intrínseco em suas mais variadas camadas.


Tal conscientização é resultado da combinação de três principais elementos trabalhados em sala: 1º) a construção do conhecimento a partir da discussão e análise de teorias; 2º) discussão, apresentação e disseminação de conhecimentos acerca dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; 3º) incentivo à busca por soluções aplicáveis e resultados concretos em um processo de evolução da teoria para a prática.





1.º A construção do conhecimento

Para contextualização da disciplina, as aulas iniciam-se com o compartilhamento de renomados conceitos de Sustentabilidade, Desenvolvimento Sustentável e Sustentabilidade Corporativa. Posteriormente, os alunos são divididos em grupos e convidados a reconceitualizar o termo desenvolvimento sustentável, dessa forma, promovendo uma discussão e explorando a percepção de cada indivíduo acerca dos assuntos abordados. As concepções elaboradas são então transformadas em uma só definição que será pensada por todo o grupo, exercitando a construção colaborativa. O conceito final é distribuído entre todos reforçando o entendimento de que o desenvolvimento sustentável ainda é algo novo e está em construção junto com a sociedade, ali representada por eles. Após a assinatura dos alunos no certificado que homologa a nova definição, o documento é encaminhado à ONU - Organização das Nações Unidas, para servir de insumo para o entendimento da percepção da sociedade em vista das ações de promoção do desenvolvimento sustentável executadas pela Organização.


2.º Disseminação dos ODS


Os ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável - são o pano de fundo da matéria de Sustentabilidade nas Organizações. Elaborados com base nos oito ODM - Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são metas que devem ser assumidas por todos os países membros da ONU após 2015. Também conhecidos como Agenda 2030, no total, são 17 objetivos e 169 metas que fazem parte de um conjunto de ações de prioridades globais para que o desenvolvimento sustentável seja alcançado em cinco instâncias: Pessoas, Planeta, Paz, Prosperidade e Parcerias. As diretrizes dos ODS têm como foco principal os três pilares da sustentabilidade: eixo social, ambiental e econômico e devem guiar a atuação da sociedade até 2030. (Plataforma ODS, 2016)





Para trabalhar os ODS de forma dinâmica, cada um dos Objetivos é entregue a um grupo de alunos para que seja pesquisado, conceituado a partir da visão e interpretação do grupo, discutido em forma de artigo e apresentado em forma de seminário, no intuito de compartilhar o conhecimento entre a turma. Dessa forma, os discentes são chamados a buscar o conhecimento, compreendê-lo a partir de suas próprias percepções e replicá-lo explorando suas habilidades de liderança e convicção. Essa atividade também explora o entendimento de que quando o aluno constrói, ele cria uma relação com o tema estudado tomando-o como verdade para si. A partir disso, ocorre uma maior conexão e integração do aluno com o respectivo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, fortalecendo seu engajamento com o tema.


3.º Aplicação da teoria na prática


A conexão dos alunos com o mercado corporativo acontece por meio de três atividades principais:

Atividade 1: Num primeiro momento, os alunos recebem estudos de casos para conhecer experiências de empresas que já atuam com a sustentabilidade para então, proporem sugestões de melhoria que serão encaminhadas aos responsáveis para análise e estudo de viabilidade.

Atividade 2: Na segunda atividade, os alunos recebem em sala de aula profissionais de grandes companhias para uma discussão sobre como a sustentabilidade é aplicada em suas empresas, ressaltando quais são as principais dificuldades e vantagens da implantação da sustentabilidade corporativa, de forma a ampliar a visão do aluno permitindo que possa atuar como consultor propondo estratégias e avaliando novas abordagens com foco em resultados concretos e já testados. Já participaram dessa atividade gestores de sustentabilidade de empresas como o Instituto Ethos, o Banco Itaú, a Klabin, a CPFL, entre outras empresas de renome no mercado nacional.

Atividade 3: A terceira experiência dos alunos com o ambiente corporativo acontece durante o trabalho de conclusão da disciplina que consiste em escolher uma empresa do mercado qual eles tenham acesso e possam conhecer a liderança e entender seu sistema de governança e sustentabilidade, para então realizar uma análise crítica da maturidade das empresas na área, promovendo pontos positivos que possam ser replicados em outras organizações, apontando gaps e sugerindo melhorias a partir de seu ponto de vista. O estudo é apresentado a turma e encaminhado para as empresas estudadas como feedback.


Ao final da disciplina, os alunos passam por um processo de autopercepção de seu progresso para um nível de maturidade estratégica com relação ao desenvolvimento sustentável e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Todas as atividades desenvolvidas atuam de forma concatenada, permitindo que os alunos sejam inseridos em um processo de educação experiencial adquirindo conhecimento e desenvolvendo competências que não obedecem a uma lógica cumulativa e aditiva, mas sim uma composição de novos saberes construídos conjuntamente aos saberes já adquiridos pela pessoa durante sua jornada educacional e profissional.


A partir desses pilares, a aula foge ao tradicionalismo do professor como detentor do conhecimento que apenas replica conceitos para memorização - tão criticado nos estudos de Paulo Freire (1983) - para propor a valorização do indivíduo e suas habilidades que deverão convergir em uma gestão focada em resultados coerentes ao desenvolvimento sustentável.


O intuito da dinâmica usada nas aulas é promover atividades que aproximem o aluno da realidade organizacional, permitindo que os estudos guiados dentro da academia sejam levados à prática em um relacionamento muito próximo das empresas, acreditando no potencial do conhecimento empírico e experiencial.


Como resultado, os alunos passam a entender os desafios da gestão da sustentabilidade e percebem que podem ser atores da mudança que o mundo precisa a partir da inserção dos conceitos estudados em sala e, principalmente, dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável na gestão de suas empresas, promovendo uma mudança de comportamento e atitude.


Com a adoção dessa dinâmica, o ISAE assume como diferencial a promoção de uma educação que parte da iniciativa de aproximar a academia das empresas, atendendo uma necessidade do mercado por profissionais que, além do domínio teórico, estejam também preparados para a realidade corporativa.


Qualificações técnicas e competências gerenciais são apenas o ponto de partida para entrar em um mercado que, cada vez mais, busca profissionais capazes de entender a importância de se incluir variáveis sociais, éticas e educacionais, junto da lógica financeira no momento de tomada de decisão. Por isso, na preparação de líderes as escolas de negócios devem entender que seu papel é muito maior do que dotar os alunos de estratégias de negócios como simples transmissor de educação. O ambiente escolar é um dos principais responsáveis por munir o aluno com conceitos que formarão sua base de valores e guiarão sua postura durante sua trajetória profissional.


A partir desse entendimento, é possível delinear a contribuição da academia com as empresas – e, consequentemente, com a sociedade - na preparação de líderes responsáveis e capazes de encontrar o equilíbrio entre as demandas de mercado e as questões socioambientais. É fundamental que as escolas estejam atentas para assuntos como ética, sustentabilidade, liderança, inovação, empreendedorismo e governança corporativa; buscando desenvolver um currículo educacional que transmita o conhecimento pautado nesses valores, promovendo a formação de lideranças responsáveis e conscientes de seu papel para a construção de um futuro mais promissor como resposta às necessidades do planeta.

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